Revoltas da República Velha

A República Velha (1889 – 1930) foi caracterizada pelo revezamento na presidência da República entre os estados de Minas Gerais e São Paulo, chamado de política do café com leite. Além disso, esta época mantinha a esperança que iria ser criado um novo pacto social, no qual fossem incluídos todos os grupos, inclusive os mais pobres.

No entanto, ficou claro que os humildes deveriam se contentar com a sua situação, o que gerou grandes conflitos. Trataremos aqui de dois deles: a Guerra de Canudos e a Revolta da Vacina.

Guerra de Canudos

Durante o governo de Prudente de Morais, na Bahia do século XIX, o nordeste presenciou uma das mais significativas revoltas sociais, chamada de Guerra de Canudos (1896 – 1897). Suas causas basicamente foram a insatisfação popular que não tinha terra e estava cansada com a precariedade ao qual era submetida as famílias mais pobres com os arroubos dos coronéis, somando-se ainda com o descaso do governo.

Com toda a revolta presente, os sertanejos criavam meios para amenizar seu sofrimento, uns optavam pela emigração, outros escolhiam o banditismo social (cangaço) e tinha também o misticismo religioso que era um apoio imaginário espiritual. Esse misticismo quase sempre se desenvolvia em torno de um líder que tinha um discurso capaz de mobilizar, com promessas, as populações ao seu redor.

Antônio Vicente Mendes Maciel, o Antônio Conselheiro, foi um desses lideres. Os moradores do arraial acreditavam ser ele um divino mestre, que já praticara até milagres. Foi Conselheiro que fundou o vilarejo denominado Canudos, No ano de 1896, o arraial contava com mais ou menos 20 mil sertanejos que repartiam tudo entre si, negociando o excesso com as cidades vizinhas, adquirindo assim os bens e produtos que não eram gerados no local.

Os habitantes de Canudos precisavam se resguardar e decidiram então organizar milícias armadas, pois era de se esperar uma reação contrária da parte dos coronéis e da Igreja Católica. Enquanto a igreja perdia seus fiéis, os coronéis sentiam-se prejudicados com o constante deslocamento de mão-de-obra para Canudos, que prosperava a olhos vistos. A população abandonou a sociedade republicana convencional, que até então só a alimentara de falsas promessas, e partiu para na direção da nova sociedade que despontava. Mesmo sem nenhuma garantia, pois não havia falsas promessas, o que era mais honesto. Os padres e coronéis coagiram o governador da Bahia a tomar providências urgentes, eles queriam que o governo desse fim a Canudos. Os jornalistas e intelectuais também eram contra os moradores do arraial, pois entendiam que os mesmos desejavam a volta da monarquia, algo totalmente fora de propósito.

Foram instituídas três empreitadas militares, que foram vencidas pelos seguidores de Antônio Conselheiro. Em virtude de tamanha dificuldade, o Governo Federal assumiu o comando. A quarta expedição foi organizada pelo então ministro da Guerra, Carlos Bittencourt, o qual recrutou cerca de 10 mil homens que, comandados pelo general Artur Costa, apoderaram-se de Canudos e promoveram um terrível massacre, no qual muita gente inocente morreu, principalmente idosos e crianças, que só buscavam uma melhor qualidade de vida. A Comunidade de Canudos foi arrasada no dia 05 de outubro de 1897, entrando para a história como o palco do mais intenso massacre já presenciado na história.

Revolta da Vacina

No início do século XX, o Rio de Janeiro se consagrava capital do Brasil, também estava crescendo desordenadamente. Sem planejamento, as favelas e cortiços predominavam na paisagem. A rede de esgoto e coleta de lixo era muito precária, às vezes inexistente. Em decorrência disto, dezenas de doenças se proliferavam na população, como Tifo, Febre Amarela, Peste Bubônica, Varíola, entre outras enfermidades. A população de baixa renda, que morava em habitações precárias, era a principal vítima deste contexto.

Neste tenso ambiente foi iniciado o saneamento da cidade, planejado e executado pelo médico e sanitarista Oswaldo Cruz.

Assim aprovou-se uma reforma que incluía a demolição das favelas e cortiços, expulsando seus moradores para as periferias, a criação das Brigadas Mata-Mosquitos, que eram grupos de funcionários do serviço sanitário e policiais que invadiam as casas, matando os insetos encontrados, etc. Essas medidas tomadas causaram revolta na população, em outubro de 1904, uma lei que instituía a vacinação obrigatória contra a varíola foi decretada e foi o estopim para uma revolta popular, chamada Revolta da Vacina.

As ruas e avenidas elegantes do Rio foram tomadas de assalto. Barricadas foram erguidas e, durante uma semana, a capital da República foi o cenário de violentos combates, até que forças do exército e da polícia conseguiram reprimir os rebeldes.

PARA COMENTAR

Vamos analisar esses fragmentos.

1)      Euclides da Cunha, descrevendo os últimos momentos de Canudos:

“Canudos não se rendeu. Exemplo único em toda a História, resistiu até o esgotamento completo. Expugnado palmo a palmo, na precisão integral do termo, caiu no dia 5, ao entardecer, quando caíram seus últimos defensores, que todos morreram. Eram quatro apenas: um velho, dois homens feitos e uma criança, na frente dos quais rugiam furiosamente cinco mil soldados.”

CUNHA, Euclides da. Os Sertões. 33. Ed. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1987. P. 407.

2)      Sobre a Revolta da Vacina, em 1904, o escritor Lima Barreto disse:

“Havia a poeira de garotos e moleques; havia o vagabundo, o desordeiro profissional, o pequeno burguês, empregado, caixeiro e estudante; havia emissários de políticos descontentes. Todos se misturavam, afrontavam as balas…

(…)

O motim não tem fisionomia, não tem forma, é improvisado. Propaga-se, espalha-se, mas não se liga. O grupo  que opera aqui não tem ligação alguma com o que tiroteia acolá. São independentes, não há um chefe geral nem um plano estabelecido. Numa esquina, numa travessa, forma-se um grupo, seis, dez, vinte pessoas diferentes, de profissão, inteligência e moralidade. Começa-se a discutir, ataca-se o governo, passa o bonde e alguém lembra: vamos queimá-lo. Os outros não refletem, nada objetam e correm a incendiar o bonde”

Com base nestes fragmentos o histoinfo quer saber a sua opinião sobre as revoltas ocorrentes na República Velha. Você acha que tem fundamento? Foi justa? Comentem!

Referências:

http://www.infoescola.com/historia/guerra-de-canudos/

http://www.infoescola.com/historia/revolta-da-vacina/

http://canudos-guerra.blogspot.com.br/p/galeria-de-fotos.html

http://www.suapesquisa.com/historiadobrasil/revolta_da_vacina.htm

Vicentino, Claudio. História para o ensino médio: história geral e do Brasil: Cláudio Vicentino, Gianpaolo Dorigo. – Ed. Atual – São Paulo: Scipione, 2008. – (série parâmetros)

7 pensamentos sobre “Revoltas da República Velha

  1. As revoltas tinham motivos justos para que a população as fizesse, porém quebravam a ordem da Nova República. No caso da Revolta de Canudos, as pessoas preferiam se unir a esse grupo, de monarquia populista, a se unir a República centralizada na elite e seus interesses. Porém, o reflexo da população da Revolta da Vacina não é totalmente válido considerando-se a grande onda de assaltos e desordem ocorrida, porém serviram para que o governo pudesse passar a informar melhor a população do que estava ocorrendo.

  2. Sim, foram necessárias. Mesmo não tendo alcançado os seus propósitos principais, por interferência das forças militares, o povo ansiava por mudanças em suas condições de vida, sofrendo com a seca e doenças, por exemplo. Se não lutassem os seus governantes continuariam a explora-los.

  3. Sim, Pois os as pessoas queriam melhoria para suas vidas, pois estavam passando por dificuldades, e essas revoluções era a maneira quee tinham de lutar para alcançar seus propósitos. Mesmo muitas vezes nao alcançando seus objetivos, eles pelo menos lutaram para consegui-los…

  4. Sim, porque a população da época buscavam melhoras de vida, na qual estavam em momentos muitos dificies, por isso causaram essas revoltas, essas brigas e lutas, porque senão eles ainda iriam continua sendo explorados.

  5. Em minha concepção sim, devido que, mesmo sem conseguir prestigio em seus propósitos por causa da intervenção das forças militares, as pessoas continuavam buscando constantemente melhorias na qualidade de vida, pois sofriam com a falta de chuvas e com as doenças, além de serem explorados pelos governantes.

  6. Para a historia do país esses movimentos foram muito importante, visto que eles conduzirem a nação para um noção de força do povo, Pois trata-se de um sistema democrático onde quem “manda é o povo”.
    Apesar de nem sempre essas revoltas terem conseguidos seus objetivos, mas no minimo elas conscientizaram a forma do povo pensar

  7. Sim, pois os revoltosos lutavam por aquilo que queriam conseguir, além de ser uma forma de resistência aquilo que esta sendo realizado por parte do governo ou qualquer instituição. Vale destacar que mesmo eles não tenham alcançados seus objetivos, porém eles deixam marcas para serem lembradas.

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